20 anos sem Tião Carreiro, por César Menotti
“Morre o homem, fica a fama, e minha fama da trabalho“…
Assim diz o verso de uma das modas gravadas por ele, Tião Carreiro.
E
assim se cumpriu, ele deixou um legado do qual a música caipira ainda
não conseguiu se desvincular. Seus discípulos estão aí, dando
continuidade a sua história, e como disse Zé Mulato, quase sempre
imitando Tião Carreiro.
Meu pai
conheceu o Tião na padaria dos artistas, na boca do lixo em São Paulo,
local que ainda hoje é frequentado pelos violeiros. O homem Tião
Carreiro tocou viola a vida inteira por amor a música, e o artista Tião
Carreiro também.
Foi notável sua
trajetória nesta terra. Fez da viola muito mais do que seu cartão de
visita, fez da viola a cara do Brasil, esse nosso Brasil sertanejo.
Quando
eu era pequeno e ouvia meu pai contar as histórias de quando encontrava
o amigo Tião Carreiro, eu ficava interessado, queria saber de tudo.
Naquela época eu jamais iria imaginar que aquele homem iria influenciar a
base da minha identidade musical.
Infelizmente
não conheci pessoalmente o rei do pagode. Na minha adolescência, fui na
casa onde ele morava visitar sua viúva, D.Nair, e ali descobri que
realmente o homem Tião Carreiro não existia mais.
Mas
tocando uma de suas violas na cozinha daquela casa, aquela viola
vermelha da música, que pertenceu a Raul Torres, percebi que o artista
Tião Carreiro ainda vivia e na verdade vive até hoje, vinte anos após
sua partida, inclusive nos meus shows quando canto ao lado do meu irmão
Fabiano “Pagode em Brasília”, junto com uma multidão de jovens que
vibram e cantam todos os versos.
Enquanto isso eu fico pensando que realmente morre o homem, fica a fama, e sua fama da trabalho.
E
aqui fica registrada minha homenagem a esse homem, como disse Lourival
dos Santos, um astro da constelação divina chamado Tião Carreiro. Fonte; Universo Sertanejo
